segunda-feira, 23 de maio de 2011

A viagem

Hoje eu acordei com meu coração pesado, muito triste com tudo que aconteceu, virei para o lado e avistei meu celular, vi que já eram praticamente 12:00 e você não estava mais la...
confesso que fiquei apavorado mas me lembrei de tudo que aconteceu, e o por que de não estar, era bem mais forte que a vontade de estar, e o desejo me sufocou e eu cai no sono em prantos...
Quando definitivamente resolvi levantar, ouvi meu pai batendo na porta e me chamando, Danilo? Esta tudo bem – disse ele com uma voz tranqüila e suave- meu pai parecia um anjo que vinha do céu pra me salvar como sempre, sempre comparei meu pai com o arcanjo Miguel “Miguel - o Senhor dos Anjos – é o mais  conhecido. Ele é o Arcanjo Miguel da fé,  da proteção e da libertação do mal.” É exatamente assim que vejo meu pai.
Acho que ele já está mais cansado que eu da minha fase totalmente depressiva. Ele sentou na ponta da cama e eu dei espaço, como se desse, ele é enorme, mas mesmo assim conseguiu sentar,ele olhou pra mim e disse – Vamos, precisamos nos apresar quero ter certeza que você
vai –
Pai eu vou, eu disse: subindo duas oitavas, o que deixou ele surpreso.
Então vá se arrumar estou esperando.
Tomei um banho meio tonto ainda, vesti a primeira roupa que estava na minha frente, não fazia questão de estar ou não bonito, só era um ponto de vista de alguém que eu nem saberia quem era, por que com certeza eu não iria perceber, eu não conseguia tirar os olhos do livro, eu estava lendo “Noites de tormenta”.
No meio do caminho meu pai tentou puxar assunto umas cinqüenta vezes, eu adoro meu pai, mas eu definitivamente não conseguia dizer uma palavra, o que deixava cada vez mais intrigado.
Quando chegamos à agência o rapaz disse com um sorriso enorme no rosto – então mocinho pra onde você quer viajar?-
Eu fiquei me perguntando se ele achava que eu era alguma criança idiota sei La... Era assim que eu me sentia naquele momento, mas ele não precisava saber disso.
Eu disse bem baixinho minha voz quase não saia – nordeste-
Então vamos La.
Nossa parecia que ele iria viajar.
Eu costumo olhar fixamente para os olhos das pessoas e quando olhei para os dele acho que enxerguei uma alegria que há tempos não via em ninguém, nem no meu pai, que sempre ficava tentava me por pra cima, nem na minha mãe que fingia a todo o momento que eu não era homossexual, eu só via minha mãe rindo quando estava com as amigas dela, elas ficavam tricotando a tarde toda e falando de suas experiências com os demônios da igreja, diferente do meu pai, que embora fosse Presbítero da congregação, passava uma outra imagem, definitivamente eu queria ser igual a ele um dia,não como Presbítero é claro.
O cara da agência de viagem falava muito eu quase sai de La sufocado com tantas palavras, por fim marquei minha viagem, e vou viajar para Aracaju no final de maio.
Meu pai ficou tão feliz e aliviado, que de certa forma me contagiou acho que estou ansioso para as férias.
Quero fazer algumas loucuras também acho que preciso de adrenalina e aventura, sem esse corre-corre de São Paulo e esquecer tudo que aconteceu desde Janeiro. A morte do Léo, o termino do meu namoro e toda essa patifaria que fizeram comigo,eu li oito livros em menos de quatro meses, isso me assusta as vezes, mas acho que é uma espécie de refugio, às vezes sinto meu coração doendo e fico tentando adivinhar se um dia consigo pegar isso e arrancar de dentro de mim.

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